Flotilha 727 Campestre

A short history (in Portuguese) of the Fleet 727 Campestre

1971 : O Ano da Classe Snipe em Sta Catarina

“Um lago seria, por certo, apenas um lago não fossem algumas peculiaridades que podem fazer dêste mero acidente geográfico, algo de transcendental e maravilhoso”

Com esta reflexão sobre a nossa Lagoa dos Esteves, Sylvio Bittencourt, em 1969, fundou o Campestre Iate Clube, projetando também uma área urbanizada, a qual hoje compõe o Condomínio Vila Suiça e onde está situado o Iate Clube Veleiros da Lagoa.

A short history (in Portuguese) of the Fleet 727 Campestre

1971 : O Ano da Classe Snipe em Sta Catarina

“Um lago seria, por certo, apenas um lago não fossem algumas peculiaridades que podem fazer dêste mero acidente geográfico, algo de transcendental e maravilhoso”

Com esta reflexão sobre a nossa Lagoa dos Esteves, Sylvio Bittencourt, em 1969, fundou o Campestre Iate Clube, projetando também uma área urbanizada, a qual hoje compõe o Condomínio Vila Suiça e onde está situado o Iate Clube Veleiros da Lagoa.

Sentimento semelhante deve ter tido, em 1931, William Crosby, debruçado sobre o Sarasota Lake, na Flórida, observando o vôo das narcejas, criou o Snipe. Aqui, como lá, as narcejas sobrevoavam a lagoa, e, passados 40 anos do nascimento da Classe Snipe, realizava-se na Lagoa dos Esteves, a primeira regata desta classe. Um evento Inédito para a população sulcatarinense.

Estrondosos tiros de espingarda, com cartuchos de festim, deram a largada para as duas voltas triangulares programadas, sob forte vento nordeste. Um acontecimento histórico, precursor do esporte a vela na região e para a Classe Snipe catarinense.

Uma sequência de fatos e acontecimentos anteriores a esta data, conspiraram, providencialmente, para transformar, sonhos e ideais, em realidade.

Na década de 60 um grupo de criciumenses instituíram o Criciúma Yacht Club, adquirindo uma pequena área de terra às margens da Lagoa dos Esteves, nas proximidade da Igreja de São Jorge. Havia no grupo alguns ex-sharpistas, oriundos da capital. Abandonaram o projeto em 1969, em favor do Campestre.

Em 1965, Alberto Lineburger retorna a sua terra natal e dá continuidade a construção de Snipes, antes realizadas em Porto Alegre. Estabelece-se no Bairro Próspera, em Criciúma, nas terras herdadas de seu pai, falecido em 1963.
No ano de 1967, Nelson Piccolo e Carlos Henrique De Lorenzi vencem o Mundial de Snipes nas Bahamas. O barco da conquista era um Lineburger. Isso, propiciou uma matéria na Tribuna Criciumense, assinada pelo saudoso Dr. Gundo Steiner. Nessa matéria Alberto Lineburger salientava as condições especiais da Lagoa dos Esteves para a prática da vela.

Em decorrência deste fato, Jarvis Gaidzinski, que já havia velejado num snipe, quando estudava em Porto Alegre, adquire um e solicita a Nelson Piccolo que o oriente nas primeiras velejadas. Em 1968, portanto, a Lagoa dos Freitas, próxima ao Balneário Rincão é palco dos primeiros bordejos do Adélia, um nome feminino, assim como o Adelaide, o primeiro barco registrado na Scira, em 1937.

À partir de 1969/70, Jarvis, com a fundação do Campestre Iate Clube, onde era um dos diretores, passou a velejar na Lagoa dos Esteves,
Também nesta época, os irmãos Lineburger, Édio e Enio começaram a velejar o Sailor II, de início na Lagoa dos Freitas e mais tarde na Lagoa dos Esteves. Era um barco da Classe Pinguim, projetado por Birney Mills, o qual foi construído por eles em 1961, aproveitando sobra de material de uma série de Pinguins construídos para o Clube dos Jangadeiros, para iniciação da gurizada na vela. (Mills foi por muitos anos Secretario Executivo da Scira, falecendo no ano de 1970). Com a vinda dos Lineburger para Criciúma, o Sailor foi equipado somente em 1969, agraciado com uma vela usada, presente de Nelson Piccolo.

Quando Jarvis precisou repor uma retranca para o Adélia, (nesta época feitas de madeira), junto ao estaleiro de Alberto, convidou os Lineburger para velejar com ele e Sergio Borges, oportunidade em que conheceram o Campestre e seu Comodoro, Sylvio Bittencourt, o qual autorizou-os a usar a estrutura do Campestre, possibilitando a guarda do Sailor no hangar , próximo a sede.

O ano de 1970 teve todos os seus domingos consumidos por eles, em velejos de Snipe e Pinguim, cujas velas se sobresaiam garbosamente no meio de quase uma dezena de pedalinhos e pequenos catamarãs a vela, enchendo os olhos de centenas de frequentadores do iate clube e outras pessoas que passavam na estrada poeirenta que costeia o lado oeste da lagoa, as quais paravam para assistir o espetáculo pouco usual.
Ainda neste ano de 1970, desaparece a cola Caschophen do mercado. Foram três meses sem os Lineburger produzir sequer um mastro. Por este motivo, surgiu o projeto do Sailor III. Um barco da classe Snipe revolucionário, construído com a madeira símbolo de SC, o Garapuvu, até então não empregado na construção dos Snipes. Usaram, os irmãos Lineburger, à contragosto do pai, a cola Cascamite (que era “resistente” a água, apenas a Cascophen era à prova d´agua). Mas, como seria um protótipo, lançaram-se os Lineburger ao projeto, pois o barco não seria comercializado. Ficar sem produzir era uma situação angustiante para eles.

O barco tinha como base a caverna 4, cujas linhas até a proa aproveitava o máximo as tolerâncias permitidas, tendo-se, inclusive, usado a excepcionalidade da regra a qual permitia que se todas as medidas estivessem corretas, uma poderia ficar fora. A intenção era construir um barco orçador, com um design em V bastante proeminente. Neste período, ainda se usava a bolina de ferro sem o corte atual na frente de ataque, o que fortaleceria a tendência de orça. Da caverna 4 para a popa, uma linha que acentuasse a planada. Sua velejada era de um Sharpie. E, quando levantava a proa e começava a planar, parecia um 470.

O barco pronto empolgou os irmãos, que, a esta altura, já sonhavam com a vela de competição no Campestre.

Aproveitando a aquisição de um novo barco por Nelson Piccolo, (já conhecido na cidade de Criciúma como astro da classe snipe mundial) junto ao Estaleiro Lineburger combinaram com Sylvio Bittencourt a realização de uma regata promocional na Lagoa dos Esteves. Nelson viabilizaria a vinda de snipistas gaúchos, quando viesse buscar seu snipe, com o qual correria a regata, Enio prepararia as condições para tal e Sylvio cuidaria da parte promocional .

Tudo pronto, dia marcado, convites entregues, matérias jornalísticas e radiofônicas, era grande a divulgação e, … decepção! Chegava a notícia que não viria ninguém. Isso na sexta-feira, que antecedia o evento.

O Comodoro foi a loucura. Chamou Braulio, seu primo, Osni Mafioletti e mandou contatar o Valdir, piloto de um Cesnna(Teco-Teco) para levar o Enio, (com carta branca) para trazer, pelo menos três barcos para o evento.

Após enfrentarem uma tempestade sobre a Lagoa dos Quadros, chegaram a salvo no Salgado Filho. Enio dirigiu-se até a Vila Conceição, residência de Nelson Este, tomando conhecimento do desespero do Comodoro, acompanhou-o até o Clube dos Jangadeiros, onde Boris Ostergreen, Marcio Pinto Ribeiro e Roberto Portugal Andrade, ocasionalmente presentes no clube, ouviram atentamente sobre a situação e, prontificaram-se em participar.

Conseguiram um caminhão e no sábado, pela manhã, já percorriam a estrada em direção a Lagoa dos Esteves. Bom lembrar que nessa época o caminho era pelas 7 pontes (Cachoerinha, Gravatai, Sto Antonio da Patrulha,,,,)

Enio e Nelson, com seu DKW, seguiram cedo rumo a Criciúma, pois ainda teriam que montar as ferragens do novo barco para o dia seguinte.
No domingo, clube repleto de pessoas. No antigo trapiche de madeira, apinhavam-se, associados e visitantes, para assistir a propalada regata à vela.

Foram para a água, Nelson Piccolo e seu snipe novo, os Lineburger com o Sailor III, Boris Ostergreen, Marcio Pinto Ribeiro e Roberto Portugal Andrade. Bóris venceu, Nelson foi segundo, Marcio terceiro, Roberto quarto e os irmãos Lineburger, fecharam a raia.

O ano havia apenas começado e a simbiose continuaria.

Ainda no ano de 1970, Antonio Carlos Carvalho, snipista paulista, havia encomendado um casco do Alberto. No período da construção, visitava frequentemente o estaleiro, em Criciúma, pois era casado com uma florianopolitana e grande amigo da família Freitas. Carvalho ajudou os irmão Lineburger a registrar seu barco e participar do Campeonato Brasileiro de Snipes, que naquele ano seria realizado no Clube dos Jangadeiros, em Porto Alegre, entre fevereiro e março. Obteve na Scira os numerais 19104, para seu barco e o 19112, para o Sailor III.

Porto Alegre parecia distante para os LIneburger, mas, conseguiram com Jarvis Gaidzinski o transporte do barco até Canoas, onde os caminhões tanque da Eliane buscavam óleo diesel para a empresa. Antonio Carvalho transportou com sua carreta o barco de Canoas até o Clube, sede do campeonato.

Começava a primeira participação efetiva dos catarinenses num brasileiro da classe, desde a vitória do sharpista Orlando Coelho, Correndo com barco emprestado, a convite dos cariocas, venceu o primeiro campeonato brasileiro da classe snipe, em 1942.

O desempenho dos Lineburger foi, para eles, aquém das suas expectativas, mas serviu para consolidar a paixão pelo esporte a vela.
Paixão esta que levou o multicampeão brasileiro de Sharpie, Walmor Soares, então presidente da Federação de Vela do Estado de Sta. Catarina, a participar (como observador) daquele campeonato, buscando alternativas para a vela na ilha de Sta. Catarina. Adepto da classe Sharpie, sentia que precisariam mudar para outra classe, pois apenas o Lago da Pampulha, Espírito Santo e Florianópolis, resistiam nesta classe. Nem mesmo, o Hargen Sharpie, lançado na época, serviu para dinamizá-la.

A presença maciça da elite snipista e a bela organização do evento proporcionado pelo Clube dos Jangadeiros, contagiou e entusiasmou Walmor,

No retorno do Sailor III, para Criciúma, a cola cascamite começou a apresentar sua reação as águas do Guaíba. Vários pontos apresentavam fissuras, descolando parte do tabuado lateral. Estava fadado ao abandono.

Certo dia, porém, visita o estaleiro Alfredo Heidemann, também da Federação de Vela de SC. No primeiro olhar para o casco abandonado, mandou reformá-lo e assumiu o compromisso de dar-lhe manutenção devida, pois problemas continuariam a aparecer. A idéia do Alfredo era apresentar o snipe numa churrascada festiva e fechar um consórcio de, pelo menos 10 barcos e introduzir o Snipe, definitivamente em Florianópolis.

Reformado o Sailor, Alfredo e Enio, levaram o barco a reboque para o Veleiros da Ilha. O projeto todo estava sendo avalizado por Walmor Soares, cuja loja na João Pinto, 21, esteve sempre aberta aos velejadores , buscando sempre melhores dias para a vela, em Florianópolis.

Domingo de sol, lá estava o Sailor devidamente armado no pátio do clube e o churrasco rolando ao lado. Dezenas de associados se fizeram presentes e a adesão a classe snipe foi além do esperado. Uma dezena de barcos confirmados, neste dia.

Construídos pelos Lineburger, foram equipados de forma padronizada, inclusive as ferragens, gravadas Gloor, pelo Sr. Romeu. Todos os mastros ainda eram feitos de madeira. As velas, predominavam as do Nelson Piccolo, embora Nils Ostergreen também se fizesse presente.

O Sailor III, agora denominado Tuim II, quase venceu o primeiro estadual. Faltou experiência ao Francisco Grillo, seu novo proprietário. Ademar Nunes Pires Jr., saudoso Ademarzinho, foi o nosso primeiro campeão estadual. Em 1972, Ademarzinho e Enio representaram SC, no Campeonato Brasileiro, na Bahia, contando com a ajuda de custo da Federação e do Campestre Iate Clube. Missão: trazer para SC a realização de dois campeonatos importantes, o Brasileiro de Snipes para Florianópolis e o Sul Brasileiro para a Lagoa dos Esteves. Ambos realizados com sucesso em janeiro e setembro de 1973.

No mesmo ano foram oficializadas as Flotilhas 727 – Campestre e 555 – Florianópolis, pela Snipe Class International Racing Association – SCIRA.

Enfim, podemos considerar que o ano de 1971, frutificou a década de 70, tornando-se um ano especial para a Classe Snipe catarinense.
Este é um breve relato. Caso você tenha mais algum dado para ser acrescido, por favor, escreva, comente, mande fotos da época. Teremos o maior prazer em publicá-los, ou,

Venha para a Taça Alberto!

Bons Ventos!

Precursores da Classe Snipe Catarinense, aqui lembrados de 1968 a 1973:
 
NUMERAL     NOME                        TRIPULAÇÃO                                             FLOTILHA
 
BL 19112        Sailor III          Enio e Édio Lineburger                                             727
BL 19112        Tuim II            Francisco Grilo/Otavio L. Fernandes                         555
BL 19113        Adélia              Jarvis Gaidzinski/Sergio Borges                              727
BL 19465        Netuno            Carl Gerhard Niestsche/ Mauro Cesar Soares          555
BL 19467        Pinduca II       Joaquim de Albuquerque Mello/Ricardo Nunes           555
BL 19469        Canjica II        Paulo Gil Alves/Antonio Dondei                                 555
BL 19470        Escorpião       Ademar Nunes Pires Jr./Roberto Soares Dias            555
BL 19480        Pioneiro II       Walmor Soares/Oduvaldo G. Soares                         555
BL 19482        Mogongo        Leonel A. da Silva Filho/Adolfo Katicips                     555
BL 20233        Aquarius         Enio Lineburger/Isaias Ulisséia Jr                             727
BL 20234        Love Story      Edio Lineburger/Luiz Vanderlan de Farias                  727
BL 20235        Sailor IV          Enio Lineburger/Enio Fabris                                     727
BL 20235                                Humberto Moritz
BL 20236        Asa Branca     Cesar e Flavio Spílere                                              727     
BL 20237        Piá                  Lauro e Lauro Battistoti                                         555
BL 20238        Rilla                 Edmar Nunes Pires/Cesar Murilo Barbi                    555
Bl 20241        Gunga             Edson Ronei da Silveira/Pedro Santana                    555
BL 20242        Baby               Walmor Soares Filho/Valério Soares                        555
 
Fleet 727 organizes the annual Taca Lineburger (Lineburger Cup). There is also a local Ranking List.

For more informations check their website


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